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NOTÍCIAS

 

MPF sobre Lula: 'Ninguém está isento de investigações'

DINHEIRO SUJO - O empreiteiro apresentou extratos de movimentação de uma conta criada na Suíça para pagar propina. De lá, segundo ele, saíram 2,4 milhões de reais para a campanha de Lula

DINHEIRO SUJO - O empreiteiro apresentou extratos de movimentação de uma conta criada na Suíça para pagar propina. De lá, segundo ele, saíram 2,4 milhões de reais para a campanha de Lula(Cristiano Mariz/VEJA)

Ao explicar nesta segunda-feira os motivos que levaram à prisão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato, foi questionado por jornalistas sobre as chances de que o ex-presidente Lula faça companhia a colegas de partido na carceragem da PF em Curitiba em breve. Santos Lima afirmou que, por ora, todos aqueles cujas prisões eram necessárias já tiveram os pedidos feitos pela força-terefa. Mas lembrou que as investigações estão em andamento - e que a Lava Jato mira os braços político e empresarial do esquema de corrupção na Petrobras. O procurador não respondeu diretamente quando perguntado se o ex-presidente é alvo da apuração. "Ninguém está isento de investigações", afirmou.

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Catta Preta diz que se sentiu ameaçada por CPI

Advogada que negociou a maioria das delações dos réus da Lava Jato afirma que se sentiu intimidada pelo Congresso e que decidiu abandonar a carreiraA advogada Beatriz Catta Preta durante entrevista ao 'Jornal Nacional'

A advogada Beatriz Catta Preta durante entrevista ao 'Jornal Nacional'(Reprodução/TV Globo)

Uma semana depois de renunciar misteriosamente à defesa de réus do petrolão, a advogada Beatriz Catta Preta quebrou o silêncio. Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, ela afirmou que decidiu deixar a advocacia e atribuiu sua saída do caso à perseguição por integrantes da CPI da Petrobras que tentaram convocá-la para prestar depoimento. A acusação cria uma imagem perturbadora: integrantes de uma CPI teriam buscado intimidar uma advogada, responsável por orientar as delações que arrastaram a cúpula do Legislativo para o centro do escândalo.

"Depois de tudo o que está acontecendo e por zelar pela minha segurança e dos meus filhos, decidi encerrar minha carreira. Eu fechei o escritório", disse a advogada. Segundo ela, as ameaças não são diretas, mas "vêm de forma velada, cifrada".

Catta Preta não citou nomes de políticos, mas alegou que a pressão aumentou depois que o lobista Julio Camargo, da Toyo Setal, citou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como destinatário de 5 milhões de dólares do propinoduto que sangrou a Petrobras. E por que só agora Julio Camargo resolveu mudar seu depoimento e complicar Eduardo Cunha? "Ele tinha medo de chegar ao presidente da Câmara", respondeu a advogada. "A fidelidade da colaboração, um colaborador não pode mentir. Isso o levou a assumir o risco e levar todos os fatos aos procuradores", disse.

Cunha nega as acusações, que o levaram a romper com o governo Dilma Rousseff, a quem atribui manipulação no rumo das investigações para atingi-lo.

"Nunca cogitei fugir" - A retaliação à advogada teria sido feita por meio da aprovação de um requerimento, de autoria do deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), para convocar Catta Preta a prestar depoimento à CPI, onde seria questionada sobre quanto e como recebeu seus honorários para defender os réus da Lava Jato. Na entrevista, ela disse que ganhou menos da metade dos 20 milhões de reais aventados nos bastidores do Congresso e que o dinheiro foi recebido por meio de transferências bancárias e cheques em suas contas. "Minha vida financeira é correta. Nunca recebi um centavo fora do Brasil."

O autor do requerimento de convocação da advogada já foi classificado pelo doleiro Alberto Youssef como um "pau mandado" do presidente da Câmara. A convocação foi aprovada de forma simbólica - sem registro nominal dos parlamentares - por todos os presentes à sessão. Nesta quinta-feira, contudo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, concedeu habeas corpus que desobriga Catta Preta a comparecer à CPI.

Catta Preta negou ter "fugido" do país ou estar de mudança para os Estados Unidos. "Eu estava em férias, costumo viajar. Nunca cogitei fugir do país", disse.

Violência - Catta Preta também concedeu entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, dizendo ter sido "insistentemente" ameaçada. Questionada se teme sofrer algum tipo de violência, respondeu afirmativamente: "Sem dúvida" A advogada disse também que sua renúncia não atrapalha as próximas etapas da Lava Jato, nem a defesa dos réus, reiterou que não se mudou para os Estados Unidos e concluiu a entrevista com elogios à força-tarefa do Ministério Público e ao juiz Sergio Moro.

Banco Central sobe taxa e Selic vai a 14,25% ao ano

Com a alta de 0,50 ponto percentual, foi a sétima elevação seguida do juro básico 

 
São Paulo - O Banco Central elevou ontem a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Foi a sétima alta seguida do juro básico.

O aumento de 0,50 ponto percentual da taxa, que serve de referência para o custo do dinheiro na economia brasileira, era previsto por 50 dos 58 economistas consultados em pesquisa da agência internacional Bloomberg. Os outros oito viam alta mais moderada da Selic, de 0,25 ponto percentual. Os juros estão agora no mesmo nível de outubro de 2006. Na época, no entanto, o BC dava continuidade a um processo de redução da taxa básica, diante de um cenário de inflação contida - o IPCA foi de 3,14% em 2006.

A decisão foi anunciada em um momento em que o dólar e o reajuste de tarifas pressionam a inflação e a atividade econômica aprofunda a recessão - o PIB recuará 1,76%, segundo analistas. A elevação da Selic tem sido a arma escolhida pelo BC para tentar conter o avanço dos preços. Com o aumento dos juros, a autoridade monetária busca inibir consumo e investimento - que ficam mais caros -, a economia se desacelera e evita-se que os preços subam, ou seja, que haja inflação.

Mas as elevações estão demorando para surtir efeito. A prévia oficial da inflação atingiu, em julho, o maior patamar no acumulado em 12 meses desde dezembro de 2003. Para a próxima reunião do Copom, marcada para 1º e 2 de setembro, as previsões divergem sobre a possibilidade e a intensidade de uma nova alta de juros.

Para José Pena, economista-chefe da Porto Seguros Investimentos, a decisão sobre a nova elevação vai depender fundamentalmente do comportamento de dólar e inflação até lá. "Olhando para o cenário político, creio que o câmbio vá oscilar bastante. A chance de ficar estável nesse patamar é baixa, porque o Congresso retorna do recesso e vai colocar em pauta votações importantes", diz. Nesse cenário, haveria chance de aumento de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de setembro, afirma Pena. Em seguida, o BC encerraria seu ciclo de aperto monetário, deixando a Selic em 14,5% ao ano. Por outro lado, complementa, caso o câmbio se comporte e a inflação desacelere, o BC poderia optar por encerrar o ciclo de altas na próxima reunião, o que deixaria a Selic em 14,25% ao ano.

Há quem aposte que o Banco Central manterá o ritmo do aperto monetário e promoverá nova alta de 0,50 ponto percentual em setembro. Para Hegedus, da Lopes Filho, este é o cenário mais provável. "A elevação dos juros surte efeito apenas no médio e longo prazo", diz. "Como não há perspectiva clara para a política brasileira, o corte nos juros a partir do próximo ano também deve ocorrer de forma lenta."

Com a elevação da Selic, os juros médios cobrados das pessoas físicas serão de 124,13% ao ano (ou 6,96% ao mês), segundo cálculos da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Em junho, o juro médio ao consumidor cobrado nas operações de crédito foi de 6,94% ao mês (ou 123,71% ao ano).

Com o aumento dos juros, é preciso ficar mais atento às contas mensais para não se endividar. "Se o consumidor tiver minimamente percepção do cenário econômico, vai diminuir as compras e evitar dívidas", afirma Eduardo Mekitarian, professor da faculdade de economia da Faap.

Para Mauro Calil, especialista de finanças do banco Ourinvest, a principal dica é não entrar em nenhum empréstimo bancário. "O consumidor deve evitar, a todo custo, pedir dinheiro emprestado para o banco."

Mas o momento não é só de pessimismo. Quem conseguir investir terá um bom retorno, aproveitando a taxa alta de juros. A única ressalva é a aplicação em poupança, que deve perder para a inflação no ano. Para aproveitar o momento, as melhores opções são CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), títulos públicos ou fundos de renda fixa, afirma Calil.
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16ª da Lava Jato avança para o setor energético

Força-tarefa identifica repasse de R$ 4,5 milhões em propina feito por Andrade Gutierrez e Engevix ao presidente licenciado da Eletronuclear

 
Curitiba – Depois de verificar irregularidades em contratos e desvios de recursos públicos em obras da Petrobras e em contratos de publicidade fechados com a Caixa Econômica Federal (CEF) e Ministério da Saúde (MS), as investigações da Lava Jato avançam agora para o setor energético. A 16ª fase da operação, deflagrada ontem, apontou indícios de pagamento de propina feitos pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix para o presidente licenciado da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás, Othon Luiz Pinheiro da Silva, entre os anos de 2009 e 2014.

O diretor estava no cargo desde 2005 e se afastou em abril deste ano depois que surgiram os primeiros indícios de que a subsidiária estaria envolvida no esquema de corrupção. Os investigadores apontam que até o momento foram identificados repasses de R$ 4,5 milhões em propina. A Eletronuclear é responsável por lidar com a energia nuclear e as usinas brasileiras em Angra dos Reis (RJ).

No entanto, tanto a Polícia Federal (PF) quanto o Ministério Público Federal (MPF) ressaltam que como eles ainda estão no início das investigações, os valores podem ser muito maiores. "Havia uma expectativa grande de que outros setores de contratações com o poder público iriam ser atingidos. Claramente, está se repetindo um mesmo modelo de contratação com o governo que inclui superfaturamento, pagamento de propina, facilitação por parte de agentes públicos e formação de cartel", ressaltou o delegado e coordenador da Lava Jato na PF, Igor Romário de Paula.

"Para quem vem acompanhando a Lava Jato deve até achar que os valores mencionados hoje (ontem) são pequenos, mas temos que considerar que é um primeiro passo dentro da investigação na área de energia. Então, é um percentual muito pequeno dos contratos para construção de Angra 3", completou.

As vantagens indevidas eram pagas a Othon por meio de quatro empresas de fachada contratadas pelas empreiteiras apenas para repassar recursos ao dirigente licenciado da estatal. Ele recebia o recurso pela empresa Aratec Engenharia, que está em seu nome. São elas: CG Consultoria (R$ 2,69 milhões); JNobre Engenharia e Consultoria (R$ 792,5 mil); Link Projetos e Participações (R$ 765 mil) e Deustchebras Comercial e Engenharia (R$ 252,3 mil), todas sediadas no Brasil.

"Parece ser difícil justificar de forma lícita o recebimento pela Aratec Engenharia e, por conseguinte, por Othon Luiz, de pagamentos milionários de empreiteiras que, ao mesmo tempo, mantinham contratos com a Eletronuclear, empresa estatal por ele dirigida. Mais ainda difícil de justificar a utilização para essas transferências de empresas intermediárias, algumas com características de serem de fachada", ressaltou o juiz federal Sérgio Moro em seu despacho.

ANDRADE GUTIERREZ

Além de Othon, também foi preso temporariamente Flávio David Barros, executivo da Andrade Gutierrez da área de energia. Os dois chegaram ontem, no início da noite na Superintendência da PF em Curitiba. Vinte e três mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas sedes da Eletronuclear em Brasília e no Rio de Janeiro, nas empresas que intermediavam a propina, e nas empreiteiras que tinham algum contrato com a subsidiária da Eletrobrás: Techint, MPE, Odebrecht e Queiroz Galvão, além de Andrade Gutierrez e Engevix.

De acordo com o procurador do MPF, Athayde Ribeiro da Costa, uma das notas fiscais emitidas pela Aratec foi emitida em dezembro de 2014, seis meses após o início das investigações da Lava Jato. "Observamos que é o mesmo modo de operar verificado em obras da Petrobras. São em grande parte, os mesmos personagens e, por isso, podemos dizer que a corrupção no Brasil é endêmica e está em metástase. Isso é um sintoma da convicção de que os criminosos do colarinho branco têm de que alcançarão a impunidade", reforçou ele.

Conforme as investigações, a origem dos pagamentos ao presidente da estatal teriam sido realizados a partir de contratos fechados com as empreiteiras Engevix e Andrade Gutierrez. No caso específico da Andrade, os investigadores apontam um contrato com a Eletronuclear de 1983 que recebeu um aditivo de R$ 1,2 bilhão no ano de 2009; e a licitação para construção de Angra 3, que teria sido direcionada para sete empresas que formaram os dois consórcios vencedores da montagem da usina. Entre elas estava a Andrade.

No ano passado, os consórcios se uniram em uma única empresa, que passou a se chamar consórcio "Angramon". Inclusive os executivos das empresas que compõem este consórcio foram conduzidos coercitivamente para prestar esclarecimentos à PF ontem. São eles: Renato Ribeiro Abreu (MPE), Fabio Gandolfo (Odebrecht), Petrônio Braz Junior (Queiroz Galvão), Ricardo Marques (Techint) e Clóvis Numa Peixoto, (Andrade Gutierrez).
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Justiça aceita denúncia contra Odebrecht e mais 12

Juiz Sérgio Moro acolheu pedido do Ministério Público. Diretores de empreiteira são acusados de pagar propina a autoridades da Petrobras

Marcelo Odebrecht da construtora Odebrecht é encaminhado para o IML de Curitiba (PR), na manhã deste sábado (20)
Marcelo Odebrecht da construtora Odebrecht é encaminhado para o IML de Curitiba (PR), na manhã deste sábado (20)(Vagner Rosário/VEJA)

O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, aceitou nesta terça-feira denúncia contra o presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outras doze pessoas. A partir de agora, todos respondem oficialmente a uma ação penal no petrolão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia envolve irregularidades e pagamento de propina em seis contratos de obras e serviços da Petrobras: no consórcio Conpar (Odebrecht, UTC Engenharia e OAS) que atuou em obras da Carteira de Coque da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no consórcio RNEST-Conest (Odebrecht e OAS) na refinaria Abreu e Lima (PE), no consórcio Pipe Rack no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), no consórcio TUC Construções (Odebrecht, UTC PPI - Projeto de Plantas Industriais Ltda.) para obras das Unidades de Geração de Vapor e Energia no Comperj, no consórcio OCCH (Odebrecht, Camargo Correa e Hochtief do Brasil) para construção do prédio sede da Petrobras em Vitória e no contrato de fornecimento de nafta da Petrobras para a Braskem, empresa controlada pela Odebrecht.

Na última semana, o Ministério Público Federal havia acusado os executivos da Odebrecht e da concorrente Andrade Gutierrez na mais importante denúncia da Lava Jato desde o início da operação, em março de 2014. Por meio de acordos de cooperação internacional, em especial com autoridades da Suíça, os investigadores da força-tarefa que apuram os tentáculos do propinoduto na Petrobras conseguiram mapear a atuação direta da Odebrecht em 56 atos de corrupção e 136 lavagens de dinheiro.

De acordo com os investigadores, a empreiteira atuou na movimentação de 389 milhões de reais em corrupção e de 1,063 bilhão de reais com a lavagem de dinheiro. Em um esquema mais sofisticado do que a simples atuação em cartel, a empreiteira distribuía propina a partir de repasses a contas de empresas offshore e, dessas, enviava novamente o dinheiro sujo para contas bancárias secretas de agentes que ocupavam cargos-chaves na Petrobras, como os ex-diretores Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque e o ex-gerente Pedro Barusco.

Além de Marcelo Odebrecht, passam a ser réus o doleiro Alberto Youssef; o ex-executivo da Odebrecht Alexandrino de Salles Ramos de Alencar; o operador da empreiteira no exterior, Bernardo Shiller Freiburghaus; Celso Araripe D'Oliveira, gerente da obra da nova sede da Petrobras em Vitória (ES); Cesar Ramos Rocha, executivo da Odebrecht; Eduardo de Oliveira Freitas Filho, sócio da empreiteira Freitas Filho Construções Ltda; Márcio Faria da Silva, também executivo da construtora Odebrecht; o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa; Paulo Sérgio Boghossian, ex-diretor da Odebrecht; o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco; o ex-diretor de Serviços da petroleira, Renato de Souza Duque; e o executivo da Odebrecht Plantas Industriais Rogério Santos de Araújo.

Engrenagem - "A documentação vinda da Suíça, com, em cognição sumária, a prova material do fluxo de contas controladas pela Odebrecht a dirigentes da Petrobras, é um elemento probatório muito significativo, sem prejuízo da discussão pelas partes e apreciação final pelo Juízo", afirma o juiz Sérgio Moro no despacho em que aceitou a denúncia.

Os investigadores identificaram depósitos da Odebrecht no valor de 9,5 milhões de dólares e 1,9 milhões de francos suíços para Paulo Roberto Costa, 2,7 milhões de dólares para Renato Duque e 2,2 milhões de dólares para Pedro Barusco.

Marcelo Odebrecht está preso desde 19 de junho porque, segundo o Ministério Público, ordenou a destruição de provas que poderiam confirmar o pagamento de propina pela construtora.

Vereador deixa Câmara de camburão após deixar de votar redução salarial

Caso aconteceu em Jacarezinho, no norte do Paraná, nesta segunda-feira.
Moradores ocuparam o Plenário para pedir salário menor dos parlamentares.

 
Câmara ficou lotada de moradores pedindo a redução dos salários (Foto: Wilson Kirche/RPC)
Câmara ficou lotada de moradores pedindo a
redução dos salários (Foto: Wilson Kirche/RPC)

O presidente da Câmara de Vereadores de Jacarezinho, no norte do Paraná, precisou deixar a Casa em um camburão da Polícia Militar, devido à revolta dos moradores da cidade. Valdir Maldonado (PDT) se recusou a colocar em discussão, nesta segunda-feira (3), um projeto de iniciativa popular, que previa a redução dos salários dos parlamentares dos atuais R$ 6,2 mil para apenas um salário mínimo.

A sessão começou tumultuada e com discussões. Os moradores queriam que a votação ocorresse já no primeiro dia de trabalho, após o recesso de julho. No entanto, Maldonado usou o Regimento para argumentar que os vereadores têm 90 dias para analisar a proposta. Se aprovada, a redução valerá a partir da próxima legislatura, ou seja, não afeta diretamente os atuais vereadores, a menos que sejam reeleitos.

Os moradores não aceitaram a desculpa de Maldonado e começaram a gritar palavras de ordem contra os vereadores. O presidente, então, saiu do local sob vaias.

A multidão perseguiu Maldonado na rua, por cerca de 100 metros. Devido ao tumulto, ele foi colocado em um camburão da Polícia Militar e conseguiu, enfim, deixar a Câmara.

Salário menor
A iniciativa dos moradores de Jacarezinho lembra a atitude de outros moradores da cidade vizinha, Santo Antônio da Platina. Em junho, um vídeo de uma moradora reclamando da votação em que os vereadores aumentavam os próprios salários viralizou na internet e mobilizou os moradores em torno da causa.

No dia seguinte, quando ocorreria a segunda discussão da proposta, os parlamentares foram surpreendidos com as galerias cheias durante a votação. Devido à pressão popular, os parlamentares acabaram reduzindo os próprios salários para R$ 970. Na proposta inicial, o presidente da Câmara teria um aumento de R$ 4 mil para R$ 8,5 mil e os demais vereadores receberiam R$ 7,5 mil. Atualmente, eles ganham R$ 3,7 mil.

Além dos vereadores, a população conseguiu também que o salário do prefeito fosse reduzido de R$ 14 mil para R$ 12 mil. Inicialmente, o valor atual iria subir para R$ 22 mil.

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CORRUPÇÃO

CGU DESCOBRIU CASOS DE LADROAGEM QUE SOMARAM R$ 37 MILHÕES, SÓ ESTE ANO

A Controladoria-Geral da União (CGU) informou na sexta-feira, 31 que no primeiro semestre de 2015 realizou 14 operações especiais em conjunto com a Polícia Federal, o Ministério Público, a Receita e outros órgãos de controle federais e estaduais - esse trabalho resultou no cumprimento de 48 mandados de prisão e afastamento de 13 servidores do exercício da função pública. Entre esses casos não estão os mais cOnhecidos, como a Lava Jato.

 
Segundo a CGU, as investigações permitiram identificar e evitar a continuidade de prejuízos ao erário da ordem de R$ 37 milhões.

A CGU informou que o objetivo das operações é desarticular organizações criminosas especializadas em desvios recursos públicos.

As principais constatações da CGU foram fraudes em licitações e contratos; além de sobrepreço e superfaturamento na execução de programas de governo. Os envolvidos foram indiciados por peculato, corrupção passiva e ativa, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

As áreas envolvidas nas investigações, segundo a Controladoria-Geral da União foram: Saúde, Educação, Minas e Energia, Cidades, Agricultura, Turismo, Planejamento, Integração Nacional e Transportes. As investigações estão distribuídas no Distrito Federal e em nove Estados - Mato Grosso do Sul, Paraíba Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Amapá, Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso.

A CGU destaca o caráter preventivo da Operação Caronte (MT) que desarticulou organização criminosa antes mesmo que ocorresse a transferência de recursos federais para os beneficiários. Na ocasião, as prefeituras envolvidas (Rondonópolis, Cuiabá e Sapezal) suspenderam as empresas fraudulentas dos processos licitatórios, evitando que elas ganhassem contratos que ultrapassavam R$ 6,6 milhões.

Segundo a CGU, a partir da parceria estabelecida entre as instituições com funções relacionadas à defesa do Estado - a própria CGU, a Polícia Federal e o Ministério Público - , no período de 2003 a 2015, foram realizadas mais de 180 operações especiais.

A Assessoria de Comunicação Social da CGU informou que esses trabalhos permitiram tanto o ajuizamento de ações judiciais (criminais e cíveis) pelo Ministério Público, quanto, na esfera administrativa, a adoção de medidas de responsabilização e de ressarcimento ao erário, como declaração de empresas inidôneas, abertura de processos de Tomada de Contas Especial (TCE) e apuração de responsabilidades dos servidores públicos federais envolvidos.
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Aldo Rebelo: "Não tem como inovar sem a iniciativa privada"

 
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, aposta no papel empreendedor do governo para a construção da infraestrutura que permita o desenvolvimento de setores industriais de ponta no Brasil. Ele avalia, entretanto, que "não tem como inovar sem a iniciativa privada".

"Ainda existe um pouco da ideia da universidade pública como uma redoma de ciência pura que não deve ser contaminada pelo mercado, mas isso está mudando, e o Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação pode ajudar nesse processo", diz Rebelo em entrevista à Agência Brasil.

Para que as áreas espacial, química e nuclear possam expandir e estimular o crescimento de outros setores da economia do país, o ministro aposta em alguns caminhos, entre eles a renúncia fiscal, para que empresas invistam em inovação, e a instalação de parques tecnológicos.

"Quando o Estado renuncia a uma pequena parte de impostos para que a empresa invista em inovação, o avanço produzido por essa indústria gera um aumento de faturamento e do pagamento de tributos muito maior que a renúncia, além da criação de empregos de alta tecnologia", afirma.

Na avaliação do ministro, o governo brasileiro já entendeu a importância da ciência para o desenvolvimento do país. Um exemplo, na avaliação dele, é a recente inclusão de obras estratégicas da pasta no orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil: A inclusão dos projetos do acelerador de partícula Sirius e do reator multipropósito no PAC, orçados em R$ 3 bilhões, sinaliza que o governo está apostando na ciência como base para o desenvolvimento?

Aldo Rebelo: Creio que o Brasil já entendeu a urgência e a prioridade de ciência, pesquisa, tecnologia e inovação quando fez o projeto estratégico do setor. O que estamos fazendo agora é dar consequência a essa decisão. Não havia obra do Ministério no PAC, o que é incompreensível. O crescimento e a competitividade dos países na economia mundial estão cada vez mais subordinados à capacidade de cada país inovar. Era uma contradição o Brasil não ter obras de infraestrutura como essas duas.

O Sirius e o reator multipropósito são instrumentos usados para diversos tipos de pesquisa, incluindo a criação de tecnologias industriais, teste de materiais, processos e produtos industriais. Para avançarmos nessas áreas, dependemos do acelerador e do reator. Agora, nós temos. Eles estão no estado da arte do mundo, gerando curiosidade e interesse científico de países como os Estados Unidos, onde pesquisadores de ponta manifestaram interesse em acompanhar o desenvolvimento e a montagem do projeto Sirius no Brasil.

Agência Brasil: No início da semana, o acordo entre o Brasil e a Ucrânia para a construção de um veículo lançador de foguetes foi oficialmente rompido. Isso distancia o Brasil da possibilidade de ter um veículo lançador?

Aldo: O acordo com a Ucrânia era puramente comercial. De um lado, o Brasil tem uma base de lançamento próxima à linha do Equador, o que reduz o custo de lançamento. Todo mundo tem interesse em usar essa base. Do outro, a Ucrânia, um país que tem tecnologia de foguete. Eles fabricariam o foguete e procurariam interessados em colocar satélites em órbita. O serviço daria lucro para o Brasil e para a Ucrânia, pago pelo país interessado em lançar o satélite.

Agência Brasil: Quais foram as razões para o rompimento?

Aldo: A intenção dos dois países de entrar nesse mercado promissor, de aluguel de bases, foguetes e satélites, foi contestada pelo custo. O valor do foguete ucraniano perdeu o interesse comercial. Um estudo feito no ano passado pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Defesa e das Relações Exteriores concluiu, por unanimidade, que o acordo estava inviabilizado comercialmente.

O investimento era muito alto e não havia transferência de tecnologia prevista. O foguete seria construído 100% lá, trazido ao Brasil, onde o satélite seria acoplado e lançado. Nós ainda tentamos. Oferecemos que a Ucrânia fizesse o foguete por conta própria, usando a nossa base. Mas nós não tínhamos interesse em continuar porque não íamos ter lucro e íamos subsidiar a construção do foguete para nós mesmos lançarmos. O Brasil tem muitos acordos na área espacial. Com a China já lançamos quatro satélites e estamos construindo um com a França. Com a Alemanha estamos construindo um minifoguete lançador de pequenos satélites. Estamos tentando retomar o acordo de salvaguardas para fazer lançamentos com os Estados Unidos. Também temos acordo de assistência técnica para a construção de veículo lançador de satélite com os russos. Essa é a regra, todo mundo faz acordo com todo o mundo, porque todos têm a possibilidade de cooperar e de ganhar dinheiro.

Agência Brasil: Qual é o lugar do Brasil nessa mercado?

Aldo: O Brasil tem dois objetivos. Um deles é ter a missão espacial completa, ou seja, termos condição de lançar um satélite projetado e fabricado pelo Brasil, com um foguete e a base de lançamento nacional.

O outro é emprestarmos a nossa base para o foguete de um país e o satélite de outro, que devem nos pagar aluguel por isso. Outro tipo de acordo é o Brasil ter um satélite, outro país ter um foguete e lançarmos daqui. Tudo isso é possível com acordos de salvaguardas, que são acordos comerciais, sem objetivo de transferir tecnologia.

Agência Brasil: O que falta para termos a missão espacial brasileira completa?

Aldo: Já temos satélites com chineses e franceses. Falta agora nosso veículo lançador. O veículo lançador de pequeno porte está sendo construído com a Alemanha e está previsto para 2018. O veículo médio é o VLS, que explodiu em 2004 no acidente da base de Alcântara. Mas nós fizemos acordo de cooperação com os russos e já temos a tecnologia para desenvolver o veículo médio, só precisamos de recursos e tempo para fazer, lembrando que nessa área tudo é atualizado muito rápido.

A capacidade do combustível usado, o peso dos materiais, tudo é aperfeiçoado a cada ano, e quem não atualiza fica menos competitivo. É preciso pesquisar o tempo inteiro.

Agência Brasil: Qual é o papel da iniciativa privada na inovação no país?

Aldo: Não tem como inovar sem a iniciativa privada. A inovação é sempre para uma determinada finalidade, econômica ou social, o resto é ciência pura. Se o Butantã desenvolve uma vacina, por exemplo, traz um benefício social. Mas para produzi-la em larga escala, precisa da indústria. Também não existe um projeto espacial sem indústria espacial. Sem dinheiro público não se faz, então o governo tem que liderar e criar a indústria. Além da geração de empregos de alta tecnologia e tributos, os desdobramentos das pesquisas podem ter utilidade muito vasta para fins industriais, civis e médicos. Tem uma grande gama de avanços e produtos que surgem como resultados de pesquisas na área espacial, na área nuclear. O governo lidera e as empresas participam.

Agência Brasil: Nos últimos anos tivemos no Brasil muita renúncia fiscal para promover a venda de produtos, mas pouco para inovação. Isso vai mudar?

Aldo: Está mudando. Já existe uma presença do governo nesse sentido, desde incentivos como a Lei do Bem, o Inova Empresas, o Inovar Auto, entre outros. Isso já estimulou várias empresas. A renúncia é 10%, 15%, o resto é a empresa que faz. Quando incentivada, a empresa faz. A instalação de parques tecnológicos também é uma aposta. Os parques reúnem as condições para a economia de alta tecnologia, ao colocar no mesmo passo empresas, incubadoras, startups e mão de obra qualificada.

Agência Brasil: As empresas também estão em crise. Elas estão recuando desse planejamento?

Aldo: Pelo contrário. Pelos locais que tenho visitado no Brasil, tenho visto investimentos nesse setor. As empresas sabem que precisam olhar para o futuro.

Agência Brasil: Sobre a formação de profissionais de ponta, como está o orçamento para bolsas de pesquisa no país?

Aldo: Estamos recuperando o orçamento do Ministério, principalmente do Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mesmo compreendendo as restrições orçamentárias do momento.

Agência Brasil: Como o senhor avalia os primeiros resultados do Ciência sem Fronteiras? O programa já conseguiu formar uma "elite científica" no Brasil?

Aldo: Isso não se forma do dia para a noite. Precisamos aguardar o retorno dos bolsistas, principalmente doutores e pós-doutores, que têm condições de constituir uma espécie de vanguarda e levar adiante o esforço de pesquisa no país.

Agência Brasil: As Olimpíadas de Matemática já provocaram uma mudança no número de pessoas que se interessam pela disciplina no Brasil? Terão um efeito rápido, por exemplo, no aumento do número de engenheiros?

Aldo: Já provocou, já dá pra sentir os resultados em números e em casos que são acompanhados. Mais que a competição, deu-se a valorização do ensino e da aprendizagem da matemática. Elevou-se o nível geral e a motivação dos estudantes. Permitiu que instituições como o Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e as universidades públicas tivessem acesso aos talentos negligenciados ou esquecidos nas escolas. As olimpíadas nos permitem descobrir talentos. São aplicados testes em 18 milhões de crianças. Aos 6 mil melhores colocados, o Impa dá uma bolsa. Dos municípios brasileiros, 99,9% participam.
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Paraná terá rede de centrais de reciclagem geridas por catadores

 
O Paraná terá uma rede de coleta de embalagens vazias como garrafas, papel e papelão, plásticos, metais e outros materiais destinados à reciclagem. Sete Centrais de Valorização de Materiais Recicláveis (CVMRs ) serão implantadas no Estado e cada uma atenderá municípios que estão em um raio de 100 quilômetros da unidade-sede.

As Centrais são resultado de Termo de Compromisso da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos com o setor de Embalagens e de Bebidas, responsável pelos custos da implantação e funcionamento das Centrais. Os sindicatos das Indústrias de Bebidas do Paraná e o de Embalagens representam hoje mais de 100 outras organizações socais deste ramo industrial envolvidas no programa de Logística Reversa do Governo do Estado.

Divulgação


A logística reversa é a coleta e retorno de resíduos depois do consumo dos produtos para que os fabricantes os reciclem ou deem disposição ambientalmente correta ao material. "O Paraná tem avançado muito no diálogo com os segmentos produtivos, um caminho sem volta para que ocorra a responsabilidade compartilhada e pela melhor destinação possível aos materiais após o consumo", disse o coordenador de Resíduos Sólidos da Secretaria do Meio Ambiente, Vinício Bruni.

No Termo de Compromisso com o Governo, o setor se compromete a colocar em funcionamento ainda em 2015 duas Centrais de Valorização de Materiais Recicláveis – uma em Maringá e outra em Londrina – e, até 2016, outras nas regiões de Cascavel, Francisco Beltrão e Guarapuava. A previsão do Sindibebidas é de que cada unidade no Interior recolha e envie para reciclagem cerca de três mil toneladas de materiais por ano.

O setor já tem uma unidade em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, que entre abril de 2012 e janeiro deste ano processou mais de 7 mil toneladas de embalagens vazias.

COMO FUNCIONA – Além de beneficiar o meio ambiente retirando de circulação embalagens vazias, a Central de Valorização de Materiais Recicláveis tem ainda um forte componente social, pois estimula o associativismo/cooperativismo e melhora a renda dos catadores. São eles que recolhem as embalagens e levam para as cooperativas, onde é feita a triagem.

A Central, que fica num raio de 100 quilômetros das cooperativas, faz a comercialização direta do que já foi selecionado na triagem. O lucro é dividido entre catadores e cooperativas.

Além do Sindibebidas, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente tem termos de compromissos assinados com outros 18 setores, entre eles Alimentos de Origem Vegetal; Construção Civil, Eletricidade, Gás, Água, Obras e Serviços do Estado do Paraná, Madeira e Móveis, Metalmecânico, Minerais Não Metálicos e Reparação de Veículos, entre outros. A ação é inédita no Paraná e permitirá o recolhimento de resíduos como estopa, óleo lubrificante usado, baterias de automóveis, madeira, ferro e tijolos.Divulgação
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Receita Estadual deve multar em R$ 49 mi empresas investigadas pelo MP

Órgão revisou trabalhos de auditores fiscais denunciados na Publicano.
Força-tarefa analisou documentos de 24 empresas da região de Londrina.

 

Um relatório parcial divulgado pela Receita Estadual nesta terça-feira (28) apontou que as irregularidades cometidas por 24 empresas investigadas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), durante a Operação Publicano, devem resultar em quase R$ 49 milhões em multas. O relatório foi feito por uma força-tarefa criada em março de 2015 para revisar trabalhos feitos por auditores fiscais lotados na Delegacia da Receita Estadual de Londrina, no norte do Paraná.

O relatório foi realizado por seis auditores fiscais e quatro corregedores. De acordo com o órgão estadual, das 24 empresas investigadas na Operação Publicano, seis delas recolheram menos impostos do que deviam e podem receber multas que juntas somarão R$ 29 milhões. Outros oito estabelecimentos receberão multas pela sonegação de impostos, por utilização indevida de créditos do ICMS e por não emitirem documento fiscal. As multas para essas oito empresas devem somar R$ 20 milhões, ainda segundo a Receita Estadual.

Operação Publicano
Nas duas fases da Operação Publicano, o MP-PR denunciou 58 auditores fiscais acusados de receber propina. Segundo o governo estadual, todos foram afastados das funções, mas continuam recebendo salários normalmente. Em junho, os auditores que não trabalharam custaram para os cofres do estado cerca de R$ 1,6 milhão.

O delator do esquema, Luiz Antônio de Souza, preso desde janeiro, é um exemplo. Acusado de corrupção e enriquecimento ilícito, ele continua ganhando pouco mais de R$ 28 mil por mês.

O pagamento para servidores afastados é um direito previsto em lei e só pode ser suspenso em caso de exoneração do funcionário, por processo administrativo.  Quatro meses depois das investigações do Ministério Público, a Receita Estadual ainda não abriu nenhum procedimento disciplinar contra os auditores acusados de corrupção.

"Nós ainda estamos investigando e constatada a conduta de determinado servidor, vamos abrir um processo administrativo disciplinar para se estabelecer a penalidade, que vai desde a suspensão até a demissão do funcionário público", explica o secretário estadual da Fazenda, Mauro Ricardo Costa

No entanto, as investigações sobre as empresas envolvidas no esquema têm avançado. A Receita Estadual informou que 120 empresas estão sendo auditadas atualmente. Ainda conforme o órgão, os relatórios dessas auditorias serão anexados aos processos administrativos contra os servidores investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao MP-PR.

"Não estou satisfeito com o ritmo das investigações. Assim como toda a população queria que esse processo fosse mais rápido. Mas, infelizmente, o rito processual é dessa forma", pontua Costa. "Eu não gostaria de estar pagando os salários desses servidores, mas sou obrigado a fazer o pagamento dos salários dessas pessoas", argumenta o secretário estadual da Fazenda.

Mauro Costa informou que cinco auditores denunciados pelo MP-PR que ocupavam cargos em comissão foram exonerados e perderam o adicional da função, porém eles ainda recebem salários como servidores.

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José Dirceu instituiu o petrolão, afirma Ministério Público

Questionado se a Lava Jato mira também o ex-presidente Lula, o procurador afirmou que "ninguém está isento de investigações"

 

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, é preso pela PF na 17ª fase da operação da Lava Jato
O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, é preso pela PF na 17ª fase da operação da Lava Jato (Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

Ao prender nesta segunda-feira o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, a Operação Lava Jato chegou nesta segunda-feira a um dos "instituidores do petrolão", segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa que investiga o megaesquema de corrupção que sangrou os cofres da estatal. De acordo com o Ministério Público, o mensaleiro foi um dos principais líderes na instituição do petrolão, ainda quando era ministro da Casa Civil, no primeiro mandato do governo Lula. Questionado se a Lava Jato mira também o ex-presidente Lula, o procurador afirmou que "ninguém está isento de investigações". Ele lembrou, contudo, que parte das apurações segue em sigilo. Sobre os demais artífices do petrolão, o procurador afirmou que "estão sendo investigados" - e que esta etapa da Lava Jato mira os núcleos empresarial e político.

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Segundo o MPF, o ex-ministro deu continuidade ao esquema durante o mensalão e se beneficiou dele mesmo após o julgamento do Supremo Tribunal Federal que o mandou para a cadeia. "Chegamos a um dos líderes principais, que instituiu o esquema na Petrobras e, durante o período de ministro da Casa Civil, aceitou e se beneficiou desse esquema", afirmou o procurador. "Temos uma operação que vai além do Dirceu recebedor, mas sim como instituidor do esquema Petrobras, ainda no tempo da Casa Civil", continuou. "Dirceu era aquele que tinha a responsabilidade de definir os cargos na administração Lula. No momento em que ele aceitou a nomeação de Renato Duque para a Petrobras, teve início o trabalho de captação das empreiteiras". O MPF afirma, também, que o ex-ministro recebeu dinheiro do esquema criminoso mesmo preso. De acordo com o procurador, a investigação e a prisão não inibiram a atuação de Dirceu. Segundo o procurador, o ex-ministro agiu com a ajuda do irmão, Luis Eduardo de Oliveira e Silva, que pediu de doações a empresas para a consultoria JD. "Dirceu vai ter que explicar porque o irmão foi a empresas pedir dinheiro, já que estava preso", disse.

Ainda segundo Santos Lima, Dirceu "repetiu o esquema do mensalão" - desta vez, contudo, com uma diferença crucial: o ex-ministro não se utilizou do dinheiro para compra de apoio de parlamentares, mas em benefício pessoal. "A responsabilidade do Dirceu é evidentemente, aqui, como beneficiário, de maneira pessoal, não mais de maneira partidária, enriquecendo pessoalmente", afirmou o procurador.

Segundo os investigadores, a principal prova contra o ex-ministro é a conexão entre os pagamentos feitos por duas empresas terceirizadas da Petrobras, investigadas nessa nova fase da Lava Jato, à JD Consultoria, empresa do ex-ministro, sem a prestação de serviços. "Apesar dos documentos que foram entregues, não há, até hoje, uma comprovação sequer do serviço prestado pela JD Consultoria". Além disso, há pagamentos em espécie, mensalmente, a Dirceu e a pessoas próximas a eles. "Há uma série de outros pagamentos, como reforma e compra de imóveis de terceiros, que são decorrentes de outras operações entre os envolvidos nos esquema de corrupção".

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Conta de água vai ficar 8% mais cara a partir de setembro no Paraná

Aumento passa a valer nas contas emitidas a partir de 1º de setembro.
Último reajuste da tarifa foi de 12,5%, em fevereiro deste ano.

 Bairros de Toledo devem ficar sem água durante a tarde (Foto: Franciele John/ G1)Conta de água ficará mais cara no estado
(Foto: Franciele John/ G1)

O governador Beto Richa (PSDB) autorizou o reajuste das tarifas de água e esgoto pela Companhia de Saneamento do Paraná(Sanepar) em 8%, conforme decreto publicado no Diário Oficial nesta quarta-feira (29). O aumento passa a valer nas contas emitidas a partir do dia 1º de setembro.

O pedido já tinha sido aprovado pelo Instituto das Águas do Paraná, órgão regulador do setor de saneamento no Paraná, em junho deste ano.

A tarifa de água e esgoto ficou congelada entre os anos de 2005 e 2010 e voltou a subir no início da gestão de Beto Richa (PSDB) por quatro vezes. O último reajuste foi de 12,5% em fevereiro deste ano, sendo cobrados 6,5% em março e 6% junho.

De acordo com a Sanepar, o pedido de revisão da tarifa foi motivado pelos recentes aumentos de energia elétrica autorizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "A previsão para 2015 é de que a Sanepar vai precisar de R$ 387 milhões para custear a energia, o que equivale a R$181 milhões a mais do que em 2014 (88% mais)", justificou a Companhia.

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MP suspeita de propina a mais servidores da Eletronuclear

Procuradores dizem que é 'grande a probabilidade' de outro funcionário público ter 'auferido parte da vantagens indevidas' pagas a Othon Luiz da Silva

O almirante aposentado Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, preso na Lava Jato
O almirante aposentado Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, preso na Lava Jato(Reprodução/VEJA)

O Ministério Público Federal (MPF) suspeita que mais servidores da Eletronuclear tenham recebido propina de empreiteiras que faziam parte do cartel investigado na Operação Lava Jato. Nesta terça-feira, o almirante da reserva Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da estatal e integrante do Conselho de Administração, foi preso pela Polícia Federal a mando do juiz Sergio Moro, por recebimento de propina em obras de Angra 3.

Em petições enviadas à Justiça Federal para embasar a deflagração da 16ª fase da Operação Lava Jato, os procuradores mencionaram que há "agentes públicos" corrompidos e por duas vezes apontaram que o presidente da Eletronuclear não ficou com todo o valor repassado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix, que possuem contratos com a estatal, a empresas intermediárias, usadas no esquema de lavagem de dinheiro.

Os investigadores calculam que a propina exigida pelo presidente da Eletronuclear tenha chegado a 30 milhões de reais - 1% do valor dos contratos assinados e que ficaram nas mãos do consórcio Angramon (Camargo Correa, UTC Engenharia, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Techint e EBE). Para o MPF, está provado que ele recebeu ao menos 4,5 milhões de reais por meio de uma empresa particular de consultoria - 3,744 milhões da Andrade Gutierrez e 765 000 reais da Engevix.

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Esquema - De acordo com o juiz, ficou comprovado que o almirante da reserva usava uma empresa de consultoria constituída com as filhas e esposa e que teve apenas um funcionário, a Aratec Engenharia, Consultoria e Representações, para receber pagamentos de outras empresas intermediárias e também com características de firmas de fachada: JNobre Engenharia, Link Projetos e Participações, CG Consultoria, e Deutschebras Comercial e Engenharia - as duas últimas possuem o mesmo endereço e contador. Othon Luiz da Silva administrava a Aratec ao mesmo tempo em que ocupava a presidência da Eletronuclear.

As empreiteiras Andrade Gutierrez e Engevix (além de consórcios, subsidiárias e empresas usadas por elas para movimentar recursos) fizeram uma série de repasses às quatro empresas entre 2009 e 2013: o total chega a 6 416 031,16 reais. Parte desse dinheiro foi parar depois nas contas bancárias da Aratec.

A partir de 2009, mesmo sem estrutura e pessoal, a Aratec "aumentou significativamente seu faturamento e movimentação financeira mediante recebimento de valores atípicos por suposta prestação de serviços para empresas que até então não eram suas clientes, em montantes muito superiores aos que comumente vinha percebendo das demais empresas normalmente contratadas", relatou a Receita Federal, em análise enviada aos procuradores da força-tarefa da Lava Jato. O MPF aponta como fonte dos recursos vantagens indevidas pagas em troca de um aditivo celebrado por Othon Luiz, na presidência da Eletronuclear, com a Andrade Gutierrez em um contrato de 1983, então suspenso, para retomada de obras em Angra 3. O valor global do aditivo contratual era de 1,248 bilhão de reais.Obras da Usina Nuclear de Angra 3, Angra dos Reis, Rio de Janeiro

Obras da Usina Nuclear de Angra 3, Angra dos Reis, Rio de Janeiro(Manoel Marques/VEJA)

A Andrade Gutierrez pagou à CG Consultoria 2,93 milhões de reais. Segundo o MPF, logo depois a Aratec recebeu da CG 2,69 milhões de reais, "descontados os custos da lavagem". A JNobre declarou ter feito pagamentos de 792 500 reais à Aratec, entre 2012 e 2013. No mesmo período, a JNobre havia recebido 1,4 milhão de reais da Andrade. Por causa da diferença de valores, os procuradores anotaram: "há grande probabilidade de outro servidor público da Eletrobras ter auferido parte destas vantagens indevidas".

Em novembro de 2014, a Deutschebras declarou ter recebido 330 000 reais por supostos serviços prestados à Andrade Gutierrez. No mês seguinte, a Deutschebras contratou a Aratec por 252.300 reais para "projetos de engenharia".

Outra fonte de propina, a Engevix firmou com a Eletronuclear seis contratos de serviços técnicos e elaboração de projetos de engenharia na região de Angra. Ao todo, os contratos somam 136.894.258,23 de reais, entre 2010 e 2013. De acordo com dados da Receita, a Engevix e a Ecovix-Engevix declararam pagamentos de 1.937.631,10 de reais para a Link Projetos, no período de 2009 a 2013. A Link, por sua vez, pagou entre 2010 e 2014 765.000 reais à Aratec. Mais uma vez, os procuradores da República concluíram: "Considerando o valor dos repasses da Engevix para a Link Projetos no montante de 1.657.631,10 de reais e que a propina repassada para Othon Luiz foi de, pelo menos, 765 000 reais, há grande probabilidade de outro servidor público da Eletrobras ter auferido parte destas vantagens indevidas".

Linha direta - O Ministério Público descobriu, por meio da quebra de sigilo fiscal, mais 784.354,16 reais repassados diretamente à Aratec por oito empreiteiras entre 2004 e 2015. Três empresas participavam do consórcio da obra de Angra 3: a UTC (que repassou 70.76 reais), a Camargo Corrêa (138 124 reais) e Techint (105.317 reais).

Mas as suspeitas envolvem ainda outras grandes construtoras. "Outras empreiteiras também efetuaram depósitos a crédito da Aratec entre os anos de 2005 e 2015, sem aparente causa legítima e em valores cada vez mais vultosos após a assunção do investigado Othon Luiz ao cargo de presidente da Eletronuclear", afirmam os procuradores.

Os maiores repasses foram feitos pela OAS: 330.896,50 reais. Depois, aparecem a Construcap (74.800,66 reais), a Engevix (45.900 reais), a Andrade Gutierrez (15.775 reais) e a Promon Engenharia (3.465 reais).Pagamentos de empreiteiras à consultoria de Othon Luiz da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, preso na Lava Jato

Pagamentos de empreiteiras à consultoria de Othon Luiz da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, preso na Lava Jato(Reprodução/VEJA)